OFICINA DE HISTÓRIA: HISTÓRIAS, MEMÓRIAS E RESISTÊNCIAS [parte 2].

 Por: Eliandra Gleyce Rodrigues e Kleoson Costa


Esse segundo vídeo da oficina versa acerca das lutas da Comunidade Remanescente do Quilombo Campo Verde com os depoimentos dos moradores em que eles relatam suas experiências e vivências individuais e coletivas no lugar em que vivem, expressando assim suas visões sobre o que é ser quilombola e morar na comunidade e suas perspectivas futuras, os depoimentos argumentam sobre o microcosmo do quilombo Campo Verde, desse modo nessa segunda parte da oficina o vídeo abaixo vamos tratar sobre memórias e identidades e compreender a formação e fortalecimento da identidade por meio de experiências individuais e coletivas.

Francinete Oliveira (2017) em sua dissertação sobre um estudo de caso na região do Baixo Tocantins na comunidade quilombola de São Benedito do Vizeu em Mocajuba no Pará, nos lembra da importância da memória e das histórias dos mais velhos que são passadas de geração a geração nas comunidades, fortalecendo assim a relação com o território e afirmando os laços de sociabilidade e ancestralidade, Thompson (2002) nos relata que o recurso da História Oral “tem um poder único de nos dar acesso às experiências daqueles que vivem às margens do poder, e cujas vozes estão ocultas porque suas vidas são muito menos prováveis de serem documentadas nos arquivos.” (THOMPSON, 2002, p. 16-17) e isso inclui as comunidades rurais, quilombolas os povos indígenas, bem como os moradores das favelas das grandes cidades do Brasil e etc., Oliveira (2017) afirma e chama a nossa atenção ao citar a realidade em torno dos registros da seguinte forma :“informações sobre os primeiros quilombos e mocambos no Pará são poucos conhecidos sendo as documentações mais evidentes a partir do governo de Mendonça Furtado” (OLIVEIRA, 2017, p. 45). Assim concluímos que, sem dúvida a oralidade nos permite ter acesso a registros e lembranças do individual e coletivo como formas de afirmações e compreensões culturais, o caso aqui apresentado e trabalhado na oficina e suas representação do quilombo, falam um pouco sobre o movimento das mulheres dentro do quilombo, as danças, as festividades, o lazer e a religiosidade, as músicas e os ritos que nos são apresentadas como indicador de reconhecimento e também de resistências e lutas, Glória Moura menciona que "compreender a contribuição das festas dos quilombos contemporâneos como fator formador e recriador de identidade, analisando- as como veículo de transmissão e internalização de valores que possibilitam a afirmação e a expressão da diferença/ alteridade e, ao mesmo tempo, a negociação dos termos de inserção das comunidades rurais negras na sociedade como um todo" (MOURA, 2005, p. 71), dessa forma entende-se que esses depoimentos dos quilombolas são marcantes e dizem muito a respeito da percepção deles como quilombos, lembrando que para Glória Moura :

"os moradores das comunidades têm princípios morais e normas de conduta aceitos pela maioria e todos pretendem passar esse código aos mais jovens. A importância dos rituais de devoção, o respeito à natureza, o dever de trabalhar, o respeito à família, a beleza da negritude, a busca de um casamento dentro do círculo comunitário, são valores que fazem parte de padrões sociais que marcam as histórias de vida dos atuais moderadores, bem como dos seus antepassados, e perpassam as letras de músicas cantadas nas festas e as estórias de santos e de bichos contados exaustivamente" (MOURA, 2005, p. 72)

Ou seja a relação com o territórios as lembranças que sobrevivem, o sentimentalismo de identidade e outras expressões através da músicas e danças a memórias passadas de geração a geração, enfim, toda essa mobilização de memórias e histórias perpetuam o reconhecimento e afirmação de identidade, portanto conhecer é também respeitar esses processos, as dificuldades que os quilombolas enfrentam e as formas de como eles foram sendo construídos, retratando assim, o modo de resistência do grupo e do direito à terra, legalidade, cultura, ancestralidades e sobretudo voz.

Convidamos você a assistir e interagir por meio de seus comentário conosco.

 Confira essa e as próximas postagens. 😊😄👍 J

PARTE 3 DA OFICINA DE HISTÓRIA

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BIBLIOGRAFIA

MOURA, Glória. Direito à diferença. In: MUNANGA, Kabengele. Superando o Racismo na escola. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade/ Ministério da Educação. Brasília. 2º edição. p. 69-82, 2005.

OLIVEIRA, Francinete Maria Cunha de Melo. Educação e cultura na escola da comunidade quilombola de São Benedito do Vizeu. 2017. 136 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Ciências Sociais e Educação, Universidade Estadual do Pará, Belém, 2017.

THOMPSON, Paul. História oral e contemporaneidade. História Oral. n. 5, p. 9-28, 2002. Tradução de Andréa Zhouri e Lígia Maria Leite Pereira.

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Notas

Agradecimentos a dona Maria Helena Trindade dos Santos; Alicia Maciel da Silva; Erielma Nogueira Cordeiro e Marta Trindade dos Santos, por gentilmente ter contribuído por meio da entrevistas e canto. Nossos agradecimentos sinceros por contribuir com a realização dessa oficina.

As entrevistas em campo realizadas por Elizabete T. da Silva respeitaram as normas de segurança e medidas sanitárias bem como o distanciamento social de 2M, evitando aglomeração e atitudes que pusessem em risco a saúde alheia com o uso combinado de máscara, álcool em gel e etc.

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FICHA TÉCNICA
Elizabete Trindade da SilvaEntrevistas, fotos, e coleta de dados
Eliandra Gleyce RodriguesRoteiro de entrevistas, elaboração de posts para redes sociais e texto blog
Kleoson CostaApoio técnico, operacional e texto blog
Francicléia RamosDivulgação e texto redes sociais, texto blog, operacional, planejamento e coordenação de oficina
Elbia C. de SouzaPlanejamento e coordenação de oficina
Adriane Aline S. da SilvaEdição e roteiro de arte, vídeo e áudio

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